José Régio «[...] Personalidade contraditória e rica, temperamento artístico por excelência, teve, parece, todas as pequenas vaidades e fraquezas do artista mundano. Isso o não impediu de criar a obra-prima do nosso teatro trágico -- Frei Luís de Sousa; ou de ser, além dum espírito capaz de entender, no texto, as maiores criações do romantismo, um dos grandes intérpretes e guardas do génio nacional. A publicação do Romanceiro no-lo bastaria a provar. Como poeta lírico, e a par das graciosas e originais composições em que o seu talento brinca, Garrett escreveu alguns dos mais ardentes ou pessoais versos de amor da nossa língua. Em tais versos, como em tantos dos seus deliciosos trechos de prosa, por certo se revela mais moderno do que muitos dos seus posteriores. [...]» As Mais Belas Líricas Portuguesas (1944)
Andrée Rocha: «A obra de Garrett oferece sobejas provas de que tinha ideias, imaginação, humor, originalidade, e que requintou em conferir ao que criou, como artista que era, a marca dum estilo peculiar, duma expressiva sobriedade. E nada disso aparece com idêntico vigor na sua correspondência.» A Epistolografia em Portugal, 234.
Ofélia Paiva Monteiro: «Garrett ocupa, no nosso património cultural, um dos lugares "fundadores", dado o papel primacial que desempenhou, durante a primeira metade de Oitocentos, no devir ideológico, político e social do liberalismo, bem como na constituição e florescimento da literatura romântica. Sendo um dos escritores que melhor souberam plasmar em formas renovadas, de perdurável eficácia estética, um mundo interior de polifacetada riqueza, gerada na osmose da sua individualidade com as transformações do viver português numa hora fulcral [...]: itinerário paradigmático, o deste poeta-cidadão, na passagem, entre as Luzes e o Romantismo, da luminosidade à sombra, do linear ao complexo, da euforia à ironia.» O Essencial sobre Almeida Garrett, 3.